domingo, 31 de agosto de 2014

Ebola em xeque?

http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2014/08/ebola-em-xeque

Ebola em xeque?

Pesquisadores do Canadá conseguem eficácia de 100% no tratamento de macacos infectados com o vírus ebola. A droga já foi testada em humanos e, no momento, é o que existe de mais promissor para o controle dessa doença fatal ainda sem cura.
Por: Henrique Kugler
Publicado em 29/08/2014 | Atualizado em 29/08/2014
Ebola em xeque?
Mais de 3 mil pessoas na África ocidental já foram afetadas pelo vírus ebola desde o início do surto atual e esse número pode chegar a 20 mil nos próximos nove meses, segundo a Organização Mundial da Saúde. (imagem: Thomas W. Geisbert/ Nature)
Eis que vem à tona uma notícia de alto impacto na comunidade científica: pesquisadores conseguiram eficácia de 100% no tratamento de macacos rhesus contaminados com o vírus ebola. A nova droga foi testada em animais que estavam em estágios avançados da doença. Todos eles foram curados.
O estudo, publicado hoje na edição on-line da Nature, foi liderado pelos pesquisadores Xiangguo Qiu e Gary Kobinger nos laboratórios da Agência de Saúde Pública do Canadá, em Winnipeg. E o truque foi o uso de um coquetel de anticorpos chamado ZMapp. Esses anticorpos agem sobre uma proteína que fica na superfície do vírus – e é a principal responsável pelo início do processo de infecção das células.
Aos testes: os pesquisadores inocularam doses letais de ebola em 18 macacos, divididos igualmente em três grupos. No primeiro grupo, os anticorpos ZMapp foram administrados 3, 6 e 9 dias após a infecção dos bichos. No segundo grupo, a mesma dose foi administrada 4, 7 e 10 dias depois da infecção. Quanto ao terceiro grupo, a combinação de anticorpos foi administrada 5, 8 e 11 dias depois. Surpreendentemente, todos os animais sobreviveram. E mais: 21 dias depois de infectados, já não apresentavam qualquer traço do vírus – nem dos sintomas – em seus organismos. Contrariamente, todos os macacos do grupo-controle morreram.
Testes com ebola
Os testes com o ebola foram feitos em laboratório de nível máximo de segurança na Agência de Saúde Pública do Canadá. (foto: Public Health Agency of Canada)
“Nos últimos anos, já havíamos testado diferentes combinações de anticorpos em roedores; e tivemos alguns resultados satisfatórios”, diz Kobinger. “Nos novos testes em macacos, também esperávamos bons resultados; mas o nível de sucesso foi além de minhas expectativas.”
Em se tratando de ebola, esse é até agora o tratamento mais eficaz já experimentado. Ainda não existem terapias ou vacinas licenciadas para combater ou prevenir a doença.
A variante do vírus usada nessa pesquisa não é a mesma que está provocando o surto atual de ebola
É preciso considerar, no entanto, que a variante do vírus usada nessa pesquisa não é a mesma que está provocando o surto de ebola deflagrado nos últimos cinco meses na África ocidental – pois essa nova variedade ainda não estava disponível para estudo quando se iniciou o trabalho em questão. Ainda assim, segundo os autores, testes preliminares já demonstraram que a terapia experimental com o ZMapp é capaz de inibir também a replicação dessa nova variante do ebola em culturas celulares.
Nesta semana, pesquisadores norte-americanos publicaram na edição on-line daScience o sequenciamento genético de vírus extraídos de 78 pacientes de Serra Leoa infectados no surto da doença em curso na África. Os dados podem ajudar na compreensão de como o vírus está mudando durante o surto, na melhora do diagnóstico e no desenvolvimento de medicamentos e vacinas.

Seres humanos à prova

O ZMapp foi testado em alguns humanos vitimados no atual surto de ebola. Apesar de dúbios, os resultados ainda devem dar o que falar. Nos Estados Unidos, dois profissionais do sistema de saúde que haviam sido infectados conseguiram se recuperar após o uso dessa combinação de anticorpos.
Mas paira no ar uma dúvida: não se sabe se tal êxito foi decorrência do novo tratamento experimental; ou se foi apenas uma coincidência, dado que cerca de 45% das vítimas do surto atual recuperam-se sem tratamento algum. O fato é que outros dois pacientes, igualmente tratados com o ZMapp, não tiveram a mesma sorte: eles morreram. Teria o coquetel sido ineficaz? Ou, nesses casos, o insucesso foi decorrente da administração tardia da droga às duas vítimas, cujo organismo o vírus ebola já havia sentenciado em definitivo?
Em tempo: Kobinger ressalta que a eficácia em macacos não é prova de que a formulação seja eficaz também em humanos.

Detalhe

Há um problema. O fornecimento de ZMapp não é tão simples: meses serão necessários para se produzirem novas amostras. “Na verdade, a produção atual pode nos fornecer algo entre 20 e 40 doses por mês apenas”, diz Kobinger. A formulação é desenvolvida pela empresa Mapp Biopharmaceutical, em San Diego, nos Estados Unidos, a partir de plantas de tabaco geneticamente modificadas. Segundo o pesquisador, autoridades norte-americanas estudam a possibilidade de engajar outras companhias na produção desse coquetel.
O fornecimento de ZMapp não é tão simples: meses serão necessários para se produzirem novas amostras
Para o virologista Davis Ferreira, do Instituto de Microbiologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), estamos a caminhar sobre uma linha tênue: de um lado, temos a urgência – com uma epidemia descontrolada vitimando milhares; de outro, temos a segurança – o que acontecerá quando um número maior de pacientes for tratado com uma nova droga que ainda se encontra em fase experimental?
“Decisões desse tipo são muito difíceis”, pondera Ferreira. “A epidemia já dura cinco meses e ainda não existe previsão de controle.”
Ele admite que, até o momento, esse coquetel é o que temos de mais promissor. “Dificilmente, porém, ele será utilizado em larga escala nesta epidemia em curso”, comenta o pesquisador da UFRJ. “Além das questões éticas, temos os tópicos de investimento, produção, controle de qualidade, entre outros processos, que precisam ser tratados de forma que se assegure o melhor para a população.”
Seja como for, esse estudo conduzido no Canadá renova esperanças para o tratamento de uma doença que, historicamente negligenciada pela indústria farmacêutica, ganha agora o centro das atenções dos órgãos de saúde pública ao redor do mundo.

Henrique Kugler
Ciência Hoje On-line

Veneno de vespa age contra perda de neurônios por Parkinson, diz estudo

http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2014/08/veneno-de-vespa-age-contra-perda-de-neuronios-por-parkinson-diz-estudo.html

31/08/2014 06h00 - Atualizado em 31/08/2014 06h00

Veneno de vespa age contra perda de neurônios por Parkinson, diz estudo

Pesquisa foi feita em ratos com lesão cerebral semelhante ao Parkinson.
Ação neuroprotetora é de um fragmento de proteína do veneno.

Mariana LenharoDo G1, em Caxambu
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Pesquisadores usaram componente do veneno da vespa Parachartergus fraternus para tratar Parkinson em ratos (Foto: Márcia Renata Mortari/Divulgação)Pesquisadores usaram componente do veneno da vespa
Parachartergus fraternus para tratar Parkinson em ratos
(Foto: Márcia Renata Mortari/Divulgação)

















Um componente do veneno da vespa mostrou-se eficaz em impedir a perda de neurônios provocada pela doença de Parkinson. O estudo, desenvolvido no Laboratório de Toxinologia da UnB, foi feito em ratos com uma lesão cerebral que simula o efeito do Parkinson. A pesquisa foi apresentada nesta sexta-feira (29) na XXIX Reunião Anual da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE), em Caxambu, Minas Gerais.
No Parkinson, ocorre a perda de neurônios em uma região cerebral específica chamada substância nigra, ou substância negra. Os neurônios dessa região são responsáveis pela produção do neurotransmissor dopamina, cuja falta resulta em perda progressiva do controle motor.
Um dos principais tratamentos disponíveis atualmente baseia-se na reposição da dopamina. Essa estratégia trata os sintomas, sem porém interferir na evolução natural da doença. Ou seja, os neurônios produtores de dopamina continuam morrendo. Há vários tratamentos potencialmente neuroprotetores em estudo, porém nenhum deles conseguiu impedir definitivamente a degeneração dos neurônios no paciente de Parkinson.
Diante dessa falta de alternativa, a pesquisadora e professora da UnB Márcia Renata Mortari – que trabalha com a busca de novos componentes de venenos de animais que possam servir de tratamento para doenças – resolveu testar se o veneno de vespa poderia ter alguma ação neuroprotetora para o Parkinson.
Primeiro, ela isolou os peptídeos presentes no veneno, ou seja, os fragmentos de proteínas que o compõem. Depois de purificar cada um dos peptídeos, ela passou a aplica-los em ratos com lesões cerebrais que simulam os efeitos do Parkinson. Márcia e sua equipe testaram quatro peptídeos sem sucesso, até que o quinto componente testado apresentou resultados promissores.
O peptídeo foi injetado uma hora após o início da lesão que simula o Parkinson. Os animais receberam uma dose por dia durante quatro dias. Testes comportamentais, que avaliaram o equilíbrio e as atividades motoras dos ratos, mostraram que os que foram tratados com o peptídeo não apresentaram os sinais típicos do Parkinson, diferentemente do que ocorreu com os animais que receberam placebo.
A pesquisadora e professora da UnB Márcia Renata Mortari resolveu testar se o veneno de vespa poderia ter alguma ação neuroprotetora para o Parkinson. (Foto: Priscilla Galante/Divulgação)A pesquisadora e professora da UnB Márcia Renata Mortari resolveu testar
se o veneno de vespa poderia ter alguma ação neuroprotetora para o Parkinson.
(Foto: Priscilla Galante/Divulgação)















Uma contagem dos neurônios produtores de dopamina feita nos dois grupos também mostrou que, entre os que receberam a substância retirada do veneno, houve uma preservação da quantidade de células nervosas, o que sugere que o novo peptídeo tem uma ação neuroprotetora em casos de Parkinson.
“Ele impediu a morte dos neurônios, mas não resgatou o neurônio que já estava em apoptose (morte celular)”, diz a pesquisadora. “O que eu penso é que ele pararia a degeneração em qualquer nível da doença, mas quanto antes começar, melhor. O objetivo do teste é que seja um composto para impedir a progressão da doença, mas não é capaz de reverter a doença já estabelecida.” Os resultados são iniciais e testes em humanos ainda devem demorar vários anos para ocorrer.
O novo peptídeo foi chamado de fraternina, pois foi extraído da vespa Parachartergus fraternus. Segundo Márcia, o estudo utilizou mil vespas retiradas de um mesmo ninho. O veneno de cada uma foi retirado manualmente.
Márcia observa que os venenos de animais têm sido uma fonte importante de pesquisa de novos tratamentos. “Durante todo o processo de evolução, os animais desenvolveram uma série de compostos bioativos em seus venenos com objetivo de paralisar as presas ou de se defender contra o predador. A natureza já tem funcionado como uma oferta de compostos neuroativos que a gente usa para tratamento de doenças.”

Perfumados, mas perigosos

http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2014/08/perfumados-mas-perigosos

Perfumados, mas perigosos

Óleo de menta, popularmente usado para massagens e fins terapêuticos, contém substância capaz de parar o coração. Pesquisador alerta para riscos da exposição excessiva a este e outros óleos essenciais, que podem tanto ter efeitos benéficos quanto danosos.
Por: Sofia Moutinho
Publicado em 29/08/2014 | Atualizado em 29/08/2014
Perfumados, mas perigosos
Aromáticos e relaxantes, os óleos essenciais são popularmente usados para tratar diversas condições de saúde, mas alguns podem ter substâncias ativas com efeitos danosos para o organismo. (foto: Vittorio Della Rossa/ Flickr – CC BY-NC 2.0)
Aromáticos e relaxantes, os óleos essenciais são popularmente usados para tratar diversas condições de saúde e têm aplicação ampla na indústria de cosméticos e de alimentos. Porém, cada óleo vegetal pode conter centenas de substâncias ativas com efeitos danosos e ainda pouco conhecidos pela ciência. É o caso da pulegona, molécula encontrada na menta, no poejo e na erva-de-gato. Pesquisas preliminares feitas com o composto natural revelaram que ele pode levar à parada cardíaca.
Testes realizados in vitro com células do músculo cardíaco no Laboratório de Membranas Excitáveis e de Biologia Cardiovascular da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), apresentados durante a 29ª Reunião Anual da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (Fesbe), em Caxambu (MG), mostram que a pulegona bloqueia o chamado canal de cálcio da membrana celular. Esse canal é formado por aberturas na região externa da célula que permitem a entrada de cálcio, mineral fundamental para que as células do coração se contraiam e o órgão mantenha seus batimentos, bombeando sangue para o corpo todo.
A pulegona é apenas um dos compostos presentes em óleos essenciais com efeito potencialmente negativo e o próprio óleo de menta pode conter outras moléculas ainda mais tóxicas
A quantidade de pulegona aplicada às células na experiência foi maior do que a que costuma ser usada para fins nutritivos ou terapêuticos. Porém, o bioquímico responsável pelo estudo, Jader dos Santos Cruz, explica que a substância, principalmente quando aplicada na pele, se acumula no organismo e pode causar danos à saúde em longo prazo. “A toxicidade é baixa, mas, se a pessoa se expuser com frequência, como se trata de uma molécula solúvel em gordura, ela se acumula no tecido adiposo e, ao ser liberada na corrente sanguínea, gera efeitos deletérios”, adverte.
O cientista ressalta que a pulegona é apenas um dos compostos presentes em óleos essenciais com efeito potencialmente negativo e que o próprio óleo de menta pode conter outras moléculas ainda mais tóxicas. “Já observamos em laboratório que boa parte das moléculas dos óleos provoca morte celular em concentrações altas”, pondera. “Temos a tendência de querer vender os óleos como possíveis medicamentos, mas não se desenvolve um fitoterápico da noite para dia, demora anos. Não sabemos ao certo que efeitos essas moléculas têm, por isso é preciso cautela.”
Menta
A pulegona, uma das substâncias encontradas no óleo de menta, quando aplicada na pele, se acumula no organismo e pode causar danos à saúde em longo prazo. (foto: Flores y Plantas/ Flickr – CC BY-NC-SA 2.0)
O Brasil é hoje um dos principais produtores de óleos essenciais do mundo, um mercado que movimenta anualmente 15 milhões de dólares.
Apesar dos resultados preocupantes da pesquisa, o médico e pesquisador das propriedades dos óleos essenciais José Henrique Leal-Cardoso, da Universidade Estadual do Ceará (Uece), lembra que uma mesma molécula que se mostre danosa sob certa aplicação pode apresentar efeitos benéficos se usada de outra maneira. “O óleo de menta é tomado popularmente para tratar giardíase e tem mostrado efeito positivo”, comenta. “Em determinado nível celular a substância pode ter um efeito negativo, mas precisamos conhecer o seu efeito no organismo como um todo.”

Dois lados da moeda

A pesquisa dos compostos dos óleos essenciais ainda é muito preliminar no Brasil, mas algumas substâncias vêm chamando a atenção dos pesquisadores por sua ação positiva. O biofísico Francisco Walber Ferreira da Silva, que também estuda o produto na Universidade Estadual do Ceará (Uece), destaca que a maioria dos óleos vegetais tem potencial como anestésico local.
A maioria dos óleos vegetais tem potencial como anestésico local
Na Universidade do Estado da Bahia (Uneb), o farmacologista Antonio Nei Santana Gondim pesquisa a efetividade dos óleos, dessa vez para fazer bem ao coração e combater a arritmia cardíaca. Em laboratório, o cientista verificou que o geraniol – encontrado nos óleos de rosas, palmarosa e citronela – atrasa em até 10 minutos a aparição da arritmia quando aplicado em células do coração submetidas a uma droga (ouabaína) que induz esse distúrbio.
“Temos muito caminho para seguir até afirmar que o geraniol pode ser útil como antiarrítmico, mas existe uma chance de que a molécula possa futuramente servir para esse fim”, pondera o pesquisador. “Tudo ainda é muito inicial na pesquisa dos óleos, precisamos de mais testes farmacológicos e de estrutura das moléculas antes de qualquer uso terapêutico.”

Sofia Moutinho (*)
Ciência Hoje On-line

* A jornalista viajou para Caxambu a convite da Fesbe.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Por que os orientais tem olhos puxados?

http://diariodebiologia.com/2010/04/por-que-os-orientais-tem-olhos-puxados/#.VAEigPldWt8

Por que os orientais tem olhos puxados?

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Análise questiona suposto hominídeo apelidado de "hobbit"

http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2014/08/1501637-analise-questiona-suposto-hominideo-apelidado-de-hobbit.shtml

Análise questiona suposto hominídeo apelidado de "hobbit"

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Uma descoberta feita numa caverna na ilha indonésia de Flores, levada a público dez anos atrás, foi saudada por um cientista como "o achado mais importante em cem anos sobre a evolução humana".



Diante de um crânio completo e de fragmentos de ossos de vários indivíduos, os cientistas que os encontraram concluíram tratar-se de resquícios de uma espécie humana extinta e até então desconhecida.



Os cientistas australianos e indonésios batizaram a espécie de Homo floresiensis. Alguns apelidaram de "hobbits" esses humanos de estatura incomumente baixa e que teriam vivido na ilha apenas 15 mil anos atrás. Era desconcertante pensar que pessoas com cérebros aparentemente não maiores que os dos chimpanzés -um terço do tamanho dos do Homo sapiens moderno- teriam sido capazes de fabricar as ferramentas de pedra encontradas.



Além disso, um único crânio seria evidência suficiente de uma espécie humana distinta? Como seria possível provar que o crânio de Flores era normal, e não o de um humano moderno com um transtorno de crescimento?



Os céticos acabam de ressuscitar o debate com artigos publicados este mês na "Proceedings of the National Academy of Sciences". Um artigo observa o que seriam falhas nos relatórios originais; outro descreve evidências que sugerem que o indivíduo ao qual o crânio pertenceu teria nascido com síndrome de Down.



Para os críticos, uma das falhas é que a estatura e o tamanho do cérebro mais completo -designado como LB1, por vir da caverna Liang Bua- teriam sido subestimadas. Para eles, a estatura de LB1 era um pouco superior a 1,2 metro, e não um metro, como aponta a estimativa original. As novas medidas do tamanho do cérebro também são maiores.



Os autores do primeiro artigo publicado na "Proceedings" -Robert B. Eckhardt e Alex S. Weller da Universidade Penn State, Maciej Henneberg da Universidade de Adelaide, Austrália, e Kenneth J. Hsu, do Instituto Nacional de Ciências da Terra, em Pequim- concluíram que as características que definem o espécime, conforme descritas, "não confirmam a singularidade ou normalidade necessárias para satisfazer os critérios formais de um espécime biotipológico de uma nova espécie".



Henneberg e Eckhardt foram o autor principal e coautor da hipótese da síndrome de Down. Com base num novo estudo das evidências, eles disseram que as dimensões revistas do crânio e fêmur do LB1 se enquadram na gama prevista para um indivíduo daquela região com síndrome de Down.



A estimativa maior também corresponde às características de alguns moradores atuais das ilhas do Pacífico.



Os cientistas também apontaram para diferenças de traços faciais entre o lado esquerdo e direito do rosto como sendo características de pessoas com síndrome de Down. Notaram que a desordem ocorre em mais de um em cada mil bebês nascidos vivos.



Outros cientistas que tenderam a aceitar a interpretação da nova espécie rejeitaram o que chamam de "hipótese do hobbit doente".



Não foram encontrados mais crânios, que seriam necessários para determinar se LB1 é um indivíduo singular ou se fez parte de uma espécie humana extinta. Até que isso aconteça, disse Eckhardt, as novas análises propõem uma "explicação menos forçada" que o acréscimo de um novo ramo à árvore da família humana.

Para aprender, à mão é melhor

http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2014/317/para-aprender-a-mao-e-melhor

Para aprender, à mão é melhor

Estudo das universidades de Princeton e da Califórnia mostra que escrever à mão garante maior e melhor memorização e compreensão da informação do que teclar no computador.
Por: Cássio Leite Vieira
Publicado em 28/08/2014 | Atualizado em 28/08/2014
Para aprender, à mão é melhor
Os estudantes foram avaliados nos quesitos memória, entendimento, capacidade de síntese e de generalização. Os que tomaram nota à mão se saíram melhor. (foto: Lavinia Marin/ Freeimages)
O signatário da seção Mundo de Ciência da revista Ciência Hoje é velho o suficiente para ter visto a passagem da máquina de escrever para o computador nas redações de jornais e revistas e a posterior (e triste) substituição do charmoso bloquinho de repórter pelos teclados dos laptops pela nova geração de jornalistas. Agora, artigo mostra que há pelo menos uma vantagem em ser ‘das antigas’: escrever à mão é melhor que teclar quando o assunto é memorizar informação e garantir um aprendizado de mais alta qualidade.
A troca da escrita pelo ato de teclar também vale para estudantes. Em salas de aulas – e também nas coletivas de imprensa – laptops abundam. Certo, eles têm muitas vantagens quando comparados à velha caneta esferográfica ou ao quase hoje primitivo lápis – dá saudade ver aquelas antigas redações de filmes de Hollywood com os repórteres carregando, na orelha, os lápis amarelos com ponta de borracha e sacando-os imediatamente para anotar o ‘furo’ do dia nos... bloquinhos de reportagem.
Quem toma nota à mão aprende mais e melhor
Agora, pesquisa de Pam Mueller, da Universidade de Princeton (EUA), e Daniel Oppenheimer, da Universidade da Califórnia em Los Angeles (EUA), mostra que quem toma nota à mão aprende mais e melhor. Para chegar a esse resultado, eles dividiram estudantes em dois grupos: os que anotavam à mão e os que o faziam com laptops. Ao final, os dois grupos – que assistiram a aulas sobre biologia, religião, bioquímica, matemática, economia etc. – foram julgados nos quesitos memória, entendimento, capacidade de síntese e de generalização.
Os voluntários que anotaram à mão – apesar de terem perdido no que diz respeito à quantidade de dados registrada – acabaram se saindo melhor nos itens acima. Os resultados estão em Psychological Science. E o início do título é criativo: ‘A caneta é mais poderosa que o teclado’.

Fazer sem pensar 

Por quê? Mueller e Oppenheimer acreditam que escrever à mão requer um processo cognitivo distinto do envolvido em teclar. Segundo eles, quem anota manualmente tem que ouvir, digerir e resumir a informação, pois não se tem a velocidade obtida ao se datilografar. E assim se captura a essência do conteúdo, obrigando o cérebro a se esforçar, o que aumentaria a compreensão e a retenção dos dados.
Ao se teclar, o cérebro não processaria o significado da informação, pois a velocidade da datilografia não deixaria muito tempo para se elucubrar sobre o conteúdo daquilo que se anota. Ou seja, teclar é algo, digamos, robotizado. Ou, como se diz popularmente, ‘fazer sem pensar’, ‘ligar no automático’.
Teclado computador
Os voluntários que teclaram registraram maior quantidade de dados, mas não foram capazes de elucubrar sobre o conteúdo daquilo que digitaram. (foto: Krzysztof Szkurlatowski/ Freeimages)
E se... fosse pedido aos estudantes que usassem laptops para que pensassem sobre o que anotavam, tomando notas com as próprias palavras, em vez de copiar literalmente o que o professor dizia? De novo, os que escreviam à mão foram melhor nos testes.
E se... os dois grupos fossem testados sobre os conhecimentos uma semana depois da aula, podendo estudar a partir das anotações? Mais uma vez, vitória para os que tomaram notas à mão.
Para os autores, os que escrevem à mão acabam, com as próprias palavras, recriando o contexto, fazendo observações auxiliares, sínteses, conexões, conclusões pessoais etc.
E deveria contar também o aspecto visual das anotações, como flechas, interrogações, exclamações, grifos, rabiscos, desenhos etc.? Mueller, em entrevista à CH, diz que outros estudos na mesma linha sugerem que essa estratégia é benéfica. “Qualquer coisa que force você a relacionar e rearranjar o material certamente irá ajudar”, disse a pesquisadora.

Outras distrações 

Os computadores usados pelos alunos no experimento não estavam conectados à internet. Isso quer dizer que não havia distrações que tiram, como já mostraram estudos, a atenção dos estudantes nas aulas (correio eletrônico, mensagens, novidades em páginas de comunidades sociais etc.).
May: “Mesmo quando a tecnologia nos permite fazer mais em menos tempo, ela nem sempre melhora o aprendizado”
Cindi May resumiu bem os resultados, em reportagem na Scientific American.  “A pesquisa de Mueller e Oppenheimer serve para nos lembrar que, mesmo quando a tecnologia nos permite fazer mais em menos tempo, ela nem sempre melhora o aprendizado.”
Adendo: vai aqui observação sem significância estatística – pois baseada na observação de um só pré-adolescente –, mas talvez pertinente: as crianças de hoje aprendem primeiro a teclar e depois a escrever à mão – esta última atividade tornou-se algo de que eles parecem não gostar e que lhes imputa caligrafia indecifrável. São capazes de passar horas e horas teclando, mas queixam-se de dor nas mãos ao ter que escrever mais do que 10 linhas para uma tarefa escolar.
A escrita à mão vai acabar? Cartas à redação, por favor.
Cássio Leite Vieira
Ciência Hoje/ RJ 

Texto originalmente publicado na
 CH 317 (agosto de 2014). Clique aqui para acessar uma versão parcial da revista.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Neurocientistas afirmam que é possível reescrever más lembranças

http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2014/08/neurocientistas-afirmam-que-e-possivel-reescrever-mas-lembrancas.html

27/08/2014 18h10 - Atualizado em 27/08/2014 18h10

Neurocientistas afirmam que é possível reescrever más lembranças

Em laboratório, ratos mudaram forma como se lembravam de experiências.
Descoberta pode auxiliar combate a depressão e estresse pós-traumático.

Da France Presse

Após adequadamente sintonizada, a sinalização neural pode ser uma ferramenta útil para prever a resposta da audiência à publicidade, disse Dmochowski

As emoções relacionadas a lembranças podem ser reescritas, fazendo com que eventos ruins do passado pareçam melhores e coisas boas, piores, descobriram cientistas do Japão e dos Estados Unidos, que deram detalhes de seu estudo em artigo publicado nesta quarta-feira (27) na revista científica britânica Nature.
De acordo com eles, a descoberta do mecanismo por trás do processo ajuda a explicar o poder dos tratamentos atuais de psicoterapia para doenças mentais, como a depressão ou o Distúrbio de Estresse Pós-traumático (DEPT), e pode abrir novas vias para o tratamento psiquiátrico.
"Estas descobertas validam o sucesso da psicoterapia atual, ao revelarem seu mecanismo subjacente", explicou à AFP, em Tóquio, o chefe das pesquisas, Susumu Tonegawa.
A equipe de cientistas, formada a partir de uma colaboração entre o Instituto RIKEN, do Japão, e o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), dos Estados Unidos, usaram a optogenética - uma nova técnica de controle cerebral que usa a luz - para compreender melhor o que acontece quando pensamos no passado.
Eles descobriram que sentimentos acolhedores ou de medo intenso, provocados pela interação entre o hipocampo - o "confessionário" do cérebro - e a amígdala - o local onde seria codificada a positividade ou a negatividade - são mais flexíveis do que se pensava.
"Depende da intensidade da prevalência (do aspecto bom ou ruim). Há uma competição entre as duas forças de conexão dos circuitos", explicou Tonegawa.
Os cientistas injetaram em dois grupos de camundongos machos proteínas de uma alga sensível à luz, permitindo a eles identificar a formação de uma nova memória na medida em que acontecia e, com isso, usar pulsos de luz para reativá-la quando quisessem.
Eles permitiram a um grupo de roedores brincar com as fêmeas, criando uma memória positiva. O outro grupo levou um pequeno, porém desagradável, choque elétrico no chão.
Memória dolorosa 
Em seguida, os cientistas reativaram artificialmente a memória, usando os pulsos de luz, efetivamente fazendo os roedores se lembrarem do que tinha acontecido com eles.
Enquanto os ratinhos "lembravam" o evento, eles vivenciavam a experiência oposta: as cobaias com a memória positiva levavam um choque, enquanto aqueles com a memória dolorosa eram conduzidos a fêmeas.
Tonegawa explicou que sua equipe descobriu que a emoção da nova experiência subjugou a emoção original, reescrevendo a forma como o animal se sentiu a respeito.
"Fizemos um teste na câmara original e a memória de medo original desapareceu", afirmou.
No entanto, reescrever a lembrança só foi possível com a manipulação do hipocampo, que é sensível a contextos. O mesmo resultado não poderia ser alcançado manipulando-se a amígdala.
Tonegawa disse que a conexão entre a memória contextual no hipocampo e as emoções "boas" ou "ruins" na amígdala ficaram mais fortes ou mais fracas, dependendo do que foi vivenciado.
Os cientistas esperam que suas descobertas possam abrir novas possibilidades para tratar distúrbios do humor, como depressão ou estresse pós-traumático, uma condição mais presente em determinados segmentos da sociedade, como os militares, em que as pessoas vivenciaram eventos particularmente trágicos ou de risco de morte.
"No futuro, eu gostaria de pensar que, com a nova tecnologia, seremos capazes de controlar os neurônios no cérebro sem fios e sem ferramentas intrusivas, como os eletrodos", disse Tonegawa, que ganhou o Prêmio Nobel de Fisiologia e Medicina em 1987.
"Poderíamos fazer prevalecer as lembranças boas sobre as ruins", afirmou.
Em um comentário também publicado na Nature, os cientistas especializados em cognição Tomonori Takeuchi e Richard Morris, da Universidade de Edimburgo, na Escócia, disseram que o estudo representa uma inovação na exploração de mecanismos da memória, embora a optogenética tenha limitações como uma ferramenta para fazer isso.
"Mas a engenharia molecular está lançando luz sobre nossa compreensão das redes de memória fisiológica subjacente", escreveram.